Como avaliar o desempenho do modelo presidencial
Projeções probabilísticas como o modelo presidencial do Plano Político não devem ser avaliadas como se fossem um prognóstico garantido sobre o resultado eleitoral. Pelo contrário, o objetivo de um modelo estatístico como este é quantificar a incerteza que existe sobre os resultados, apoiado pelo histórico de eleições anteriores. Se o modelo estiver perfeitamente calibrado, um candidato com 10% de chances vencerá uma em cada dez eleições.
No entanto, eleições presidenciais são eventos raros: acontecem apenas a cada quatro anos, com elencos diferentes de candidatos, contextos políticos diversos, etc. Seria muito fácil aumentar artificialmente a incerteza do modelo para "nunca errar", mas isso reduziria sua utilidade analítica. Por outro lado, um modelo confiante demais gera o problema inverso: confundir uma tendência temporária com inevitabilidade.
Estamos a vinte dias do primeiro turno da eleição presidencial. Muito pode acontecer em vinte dias e o eleitorado reage cada vez mais rápido e mais próximo do pleito: por exemplo, em 2014 a essa altura da campanha Marina era favorita a disputar o segundo turno contra Dilma; na última semana Aécio a ultrapassou e terminou o primeiro turno doze pontos percentuais à sua frente.
Um modelo probabilístico não pode prever exatamente o resultado, mas sim mapear essas possibilidades para que estejam no radar dos interessados nas eleições. Portanto, a melhor forma de avaliar o modelo quando soubermos o resultado no dia 4 de outubro é se orientar por estes pontos:
- Os resultados individuais dos candidatos estavam dentro dos intervalos de confiança do modelo?
- Se sim, quão longe estavam da projeção mediana?
- A direção apontada pelo modelo nos últimos dias indicava maior ou menor possibilidade para o resultado final?
- Por fim, quais termos do modelo foram determinantes para chegar mais ou menos perto do resultado final?
Nos dias seguintes ao pleito, o Plano Político publicará uma análise dos resultados do modelo presidencial à luz dessas questões, apontando erros e acertos e, em caso de segundo turno, uma explicação sobre como o modelo funcionará na segunda fase da disputa eleitoral. O motivo é simples: apesar de ser uma "nova eleição", o segundo turno é realizado à sombra dos resultados do primeiro. Estes permitem analisar com muito mais clareza quais são as probabilidades dos dois candidatos remanescentes.